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Há mais de 2 anos tive uma intuição que me chamava para ir à Mongolia. De início resisti, argumentei que isso era um exagero, que a Mongolia era muito longe e disse que não iria!! (Estava falando com os seres sutis que me trouxeram o recado tão inusitado).
Mas vejam, quando a pessoa trabalha com a intuição e recebe um chamado deste tipo, ela não deveria argumentar, como eu fiz. E muito menos se rebelar e decidir não experimentar. Porque no mundo da intuição e da comunicação telepática, as coisas não acontecem dentro da ordem conhecida e não fazem sentido como estamos acostumados. No mundo da intuição não há explicações lógicas e nem um desencadear de acontecimentos na ordem “passado-presente-futuro”, como conhecemos.
Durante esses dois anos, mantive muitas conversas com minha intuição, onde perguntava o que eu iria fazer na Mongolia e porque eu precisava ir para tão longe. A resposta era sempre a mesma: “Vá!”. Não consegui saber para que eu precisava ir, eu só sabia no meu íntimo que precisava deixar os “por que” e “para que” de lado, parar de buscar segurança e explicações, e ir.

Durante esse tempo de resistência, fui percebendo meus padroões mentais, meus apegos, e minha necessidade de saber para que eu fazia as coisas. No fim era uma necessidade de controle. Partir para uma viagem para a Mongolia, um lugar onde nunca tinha pensado em ir, e fazer uma viagem tão longa, com as mãos vazias, sem saber para quê, foi um grande desafio no meu caminho. Precisei ir como criança que começa a dar seus primeiros passos e ainda não tem as pernas firmes e vai tateando o caminho.

Por fim, quando parti, no fim de julho deste ano, eu nem mesmo esperava que acontece qualquer coisa relacionada à comunicação com os reinos. Não esperava “tirar proveito” desta viagem, e talvez depois escrever um livro, ou trazer material inédito para compartilhar nos meus cursos, onde procuro transmitir às pessoas o “acordar” para a comunicação telepática com animais, plantas e reinos da natureza.

Simplesmente fui… mas levou 2 anos e durante esse tempo a “voz” interior não se calou por um dia sequer! Foi constante, amorosa, cuidadosa e não me abandonou às inconstâncias da minha mente nem às dúvidas e questionamentos. Ficou ao meu lado, me inspirando e me levando a cumprir algo que me levaria para frente, me tornaria mais livre, mais ligada ao coração e à essência do que sou.

Quando cheguei na capital da Mongolia,Ulan Battaar, uma cidade que fica no meio do nada, meu primeiro desejo foi voltar correndo! Aquilo foi engraçado!! Cheguei muito cedo, deixei minhas coisas no hotel e fui dar uma volta pela cidade. Ao ver aqueles edificios que julguei tão frios, ao ver aquela cidade tão diferente de tudo que eu conhecia, uma cidade que era ao mesmo tempo nova e velha, mas que parecia um lugar fora do tempo… eu não gostei e queria ir embora.

Mas me conhecendo um pouquinho, eu apenas respirei fundo e me permiti ficar e vivenciar aquela aventura.

Minha viagem foi pela interior da Mongolia, visitando as famílias de nomades e o foco principal foi passar alguns dias com os Tsaatam, uma das menores etnias que existem ainda na Terra. É um povo nomade que vive bem isolado, num lugar de dificil acesso ( para chegar lá viajamos primeiro de avião, a partir da capital, depois de carro por uns 3 dias e por fim a cavalo durante 7 horas ). Seu povoado consta de 12 tendas do tipo tepee, ou tenda indígena, e isso é tudo. Eles não têm bens de consumo e vivem de uma forma totalmente simples, com um profundo respeito pela Natureza da qual dependem.

Quando nosso pequeno grupo de 4 pessoas chegou lá, acompanhado de Esse, nosso guia mongol, escolhemos cada um, uma tenda para ficar, que dependia de sermos aceitos pela pessoa com quem escolhemos ficar. Eu escolhi ficar com a Xamã do local, que vivia com sua filha numa tenda um pouco mais afastada.

A experiência foi indescritivel, com nossas palavras humanas. Ela não falava ingles e eu não falo mongol e então desde o início eu me encaminhei para suas tenda determinada a usar a linguagem do coração. Foi uma experiência curta em termos de tempo humano, mas me marcou de tal forma, que faz parte de mim hoje, no nivel mais profundo do meu ser.

No fim da nossa estadia ela nos presenteou com uma cerimônia xamânica noturna, dentro da sua tenda, com todos nós sentados no chão e ela tocando seu imenso tambor, com um cantico tão simples quanto belo, que parecia estar nos limpando de todo o nosso passado…

Tínhamos entrado no “tempo sem tempo”, na dimensão espiritual mais profunda, no mais simples e mais sagrado que um ser humano pode revelar, e tal presente correspondeu à entrega ao novo, sem expectativas e sem desejos.

Pude experimentar essa entrega e a abundancia que ela traz para nossa vida!

Nos dias que se seguiram, continuando a viagem a pe, senti o chamado das imensas montanhas que me cercavam de ambos os lados por onde andava. Foi um chamado insistente, do mesmo teor que o chamado para ir `a Mongolia, e entao, num certo dia, parei frente a uma linda montanha e perguntei ao seu ‘Ser” o que ele queria de mim. Naquele momento, imersa num silencio profundo, recebi a mensagem do ‘Ser” das montanhas da Mongolia: mensagem de poder, de presenca inabalavel e de enraizamento, qualidades que percebi estarem totalmente conectadas com a pratica da entrega `a Natureza e ao silencio.
Mais uma vez, minha tentativa de traduzir em palavras ‘e muito rudimentar, mas espero que voces leitores captem a essencia do que essas palavras carregam.

Pois as palavras nao sao a mensagem, mas sao sim portadoras da mensagem. O conteudo de uma mensagem cavalga a palavra e precisamos perceber isso, em algum momento. Assim como nosso corpo nao ‘e a vida, mas o portador da vida, o veiculo da vida, da mesma forma, as palavras sao o veiculo da mensagem da alma.

Ho!

Ultimamente a minha prática principal, na comunicação com os animais, com as plantas, com os reinos da natureza, tem sido a prática do silêncio.
Percebo que no silêncio, há muitos níveis de comunicação, mesmo que isto possa parecer um paradoxo.
Mas a comunicação pode sim ser silenciosa.
E silêncio e comunicação andam muito bem juntos, principalmente quando se trata de comunicação telepática.
Precisamos muito cultivar o silêncio em nossas vidas. Para conseguirmos perceber os outros, para conseguirmos nos sintonizar com um animal, com uma planta, com um mineral, com as águas, com o vento, com a chuva, com o fogo. No espaço do silêncio, muitas coisas acontecem, muitos contatos mais sutis que não podem ser percebidos em meio ao barulho.
Precisamos muito cultivar o silêncio em nossas vidas. Para conseguirmos enxergar de verdade, dentro de nós, para conseguirmos saber o que realmente queremos comer, vestir, fazer e não fazer. Para conhecer quem somos nós, para desenvolvermos a comunicação mais sutil. Para nos sintonizarmos com a essência de cada ser.
Em meio ao barulho, ao excesso de atividades, somos influenciados por gostos que não sÃo os nossos gostos, somos levados a consumir produtos que não queremos realmente consumir, tomamos atitudes que não tomaríamos se tivéssemos espaço interior para pensar com calma, e , muitas vezes, deixamos de nos posicionar de forma ética, em relação aos animais e aos reinos da natureza. Somos levados numa “onda” grupal, que não é a nossa onda de verdade! E acabamos colaborando para manter um tipo de sociedade com a qual na verdade não temos verdadeira identidade.
Custamos a perceber nosso poder na sociedade. Custamos a acreditar que podemos fazer a diferença e que podemos ser a mudança que tanto dizemos querer ver no mundo. Cada ato nosso, cada produto que compramos, cada saquinho de plástico que aceitamos levar para casa, cada mínimo gesto, cada produto consumido, cada ato vai fazer a grande diferença pois desde sempre se sabe que “o que está em cima , está embaixo” e que “assim na terra como no céu”.
Se eu não compro determinado produto de uma empresa que testa seus produtos em animais, isso faz diferença! Se eu escrevo um artigo sobre isso, isso faz diferença. Se eu não como produtos de origem animal, isso faz diferença.
Se sou grata pelo alimento que recebo, isso faz diferença!
Mas me diga você, quantas vezes consegue se lembrar de agradecer, quando está em meio ao barulho, em meio às conversas, antes de começar uma refeição?
Mesmo antes de olhar para o que estou comendo, lembrar-me de ser grata, quando tantos não têm o que comer. Antes da forma, colocar ênfase no conteúdo. Antes de criticar aqueles que comem carne, ser alguém que sabe ser grato pelo alimento. Ser silencioso, ser um com tudo o que existe.
E a partir daí, transformar o mundo à sua volta.
Pelos animais, pela natureza, pela vida.
Por amor e por compaixão, pois enquanto todos os seres não forem felizes e bem tratados, eu também não poderei ser totalmente feliz , já que eu pertenço ao todo, e o todo pertence a mim, e somos todos UM.

Os aborígenes tem um ditado : “Os animais nos tornam humanos”. Agora sabemos que isto, provavelmente, é literalmente verdadeiro. Não seríamos quem somos hoje se não tivéssemos co-evoluído com os cães.
Também acho que é verdade, de uma forma diferente, que todos os animais nos humanizam. É por isso que espero que possamos começar a pensar de forma mais respeitosa sobre a inteligência e os talentos dos animais. Isto seria ótimo para os humanos pois há muitas coisas que não podemos fazer , que os animais podem. Nós poderíamos contar com a ajuda deles.
Mas também seria bom para os animais. Inicialmente os animais começaram a conviver com os humanos porque as pessoas precisavam deles e eles precisavam das pessoas. Hoje em dia os cães ainda precisam das pessoas, mas as pessoas esqueceram o quanto precisam dos cães para tudo que vai além de amor e companheirismo. Isto provavelmente é suficiente para aquelas raças que foram criadas para serem animais de companhia, mas muitas das raças maiores e praticamente todas as raças mistas foram preparadas para trabalho. Ter um trabalho para realizar é parte da sua natureza, é quem eles são. É triste ver que atualmente, que quase mais ninguém vive do pastoreio de ovelhas, a maioria dos cães está desempregada.
Mas não precisa ser assim. Li uma pequena história no website da Associação dos Medicos Veterinários Norte Americanos que mostra as incríveis coisas que os animais são capazes de fazer, e que fariam , se nós lhes déssemos a chance. Era sobre um cão chamado Max que tinha se treinado para monitorar os níveis de açúcar de sua dona, mesmo quando ela estava dormindo. Ninguém sabe como Max tinha aprendido isso, sozinho, mas minha opinião é que as pessoas devem ter um cheiro ligeiramente diferente quando seus níveis de açúcar no sangue estão baixos, e Max tinha percebido isso. A dona dele tinha diabetes num nível bem grave e caso seu nível de açúcar no sangue diminuísse durante a noite, Max acordaria seu marido e ficaria empurrando ele com o focinho até ele se levantar e cuidar dela.
Você precisa pensar sobre esta história por apenas cinco segundos para perceber o quanto os cães têm para oferecer. Os cães e muitos outros animais.

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