Relato da Experiência da brasileira Sheila Waligora, autora e veterinária, especializada na comunicação entre espécies.
“Entre mim e o menor dos animais a diferença reside somente na manifestação. Na essência, ele é idêntico a mim, é meu irmão e possui a mesma alma que eu”. (Swami Vivekananda)
O início do meu treinamento prático da comunicação entre espécies, coincidiu com o início da minha vida na Demétria, um bairro rural próximo a Botucatu, São Paulo.
Nessa mesma época, eu acordava muitas vezes à noite por causa dos pernilongos. Foi então que resolvi iniciar uma experiência de comunicação com eles. Para começar, deixei de lado meus conceitos e conhecimentos a respeito dos pernilongos para me habilitar a ter uma experiência pura.
Na prática, comecei oferecendo-lhes pedacinhos de frutas que colocava em pratinhos nos parapeitos das janelas de casa todas os dias, bem cedo. Conversava com eles, dizendo que gostaria que se alimentassem daquelas frutas. Mesmo sabendo que as fêmeas dos pernilongos precisam se alimentar de sangue e que não sobrevivem apenas com frutas, resolvi experimentar. Lembro-me bem que não era uma negociação do tipo: “Se vocês pararem de me acordar e picar, vou colocar frutinhas para que possam se alimentar”. Eu estava apenas oferecendo as frutas, e estava muito interessada em ver o que aconteceria!
Ao entardecer, sentava-me fora de casa e dizia-lhes mentalmente:
“Podem se alimentar do meu sangue”. Ficava ali e, como nunca tinha feito antes, observava o que acontecia comigo quando eles me picavam, observava qual era a sensação de ser picada, quanto tempo durava e que tipo de sentimentos surgia em mim.
Durante esse período, pela primeira vez na vida pude sentir com todo o meu ser que a fome do pernilongo era a mesma fome que eu tinha!
Após ter feito isso várias vezes, comecei a conversar com eles a partir do coração. Expliquei-lhes que queria dormir, que precisava descansar e que, quando eles me picavam para se alimentar, eu acordava. Pedi que me deixassem dormir, mesmo que quisessem continuar se alimentando do meu sangue. Não me importava em absoluto com isso. Disse-lhes que respeitava a vida deles e que queria viver em amizade não só com eles mas com todos os seres. Na verdade, durante esse processo, sentia amor por eles!
Foi a partir daí que nosso relacionamento mudou para sempre.
Fiquei tão feliz com essa experiência, além de ter sido algo que atingiu tantas outras pessoas, pois, quando falava sobre isso, era a partir da minha experiência bem-sucedida, o que motivou muitas pessoas a experimentar também. Até hoje, ouço muitos relatos sobre como é fácil e mágico conversar com os pernilongos!
“Posso me comunicar com os pernilongos!”, “Eles pararam de me picar!”, “Não preciso mais usar venenos para matar os pernilongos!” É isso que tenho escutado.
É simplesmente maravilhoso poder ir além daquilo que aprendemos e que passamos a considerar como óbvio. É revolucionário ser livre para ir além das ações automáticas e inconscientes, ser livre na consciência para ir além dos preconceitos. Entretanto, nunca é excessivo lembrar que antes de tudo nossa consciência nos leva a fechar janelas e portas ao entardecer, todos os dias, sem exceção!
A comunicação com os pernilongos começa a partir daí!
Sheila Waligora é médica veterinária especializada em terapias naturais para animais, métodos de alimentação que promovem a saúde dos animais, e na comunicação entre espécies.Atua com consultas a domicílio, palestras e cursos práticos. em todo o Brasil.
waligorashe@gmail.com – WWW.sheilawal.wordpress.com
Sheila Querida, esta frase encerra uma profunda verdade que é a base de nossas Vidas: “É simplesmente maravilhoso poder ir além”… Beijo Carinhoso.